✒ Escrito por humanoSwing e ménage · 8 minConto #110

Nosso primeiro ménage com a minha amiga da faculdade (Parte 3)

por Noa Bruma

Eu troquei de roupa quatro vezes.

André ficou sentado na cama assistindo, com o Biscoito no colo, sem dar palpite. Na quarta vez, um vestido de algodão azul simples, ele disse:

"Esse."

"Por quê?"

"Porque é o único em que você parece você."

Eu fiquei.

A Bia chegou às oito e meia com duas garrafas de vinho português e um buquê de girassóis. Estava de jeans e camisa branca, o cabelo curto molhado do banho. Me abraçou na porta e demorou um segundo a mais do que o normal.

"Oi", ela disse no meu ouvido.

"Oi."

O Biscoito pulou nela e salvou a gente do silêncio.

⁂

O jantar foi fácil, e isso foi o mais estranho. André fez risoto de cogumelos. Bia contou histórias de casamento que fotografou, de uma noiva que desmaiou no altar, de um padrinho que pediu a madrinha em casamento no meio da festa. Eu contei da contabilidade, que ninguém nunca quer ouvir, e ela ouviu.

Na segunda garrafa, a conversa voltou para Campinas.

"Você lembra da festa junina da república?", Bia perguntou.

"Lembro que eu bebi quentão demais."

"Você dormiu na minha cama."

"Eu dormi na sua cama porque a minha tava com o Fábio e a namorada."

"Eu sei." Bia girou a taça. "Eu fiquei a noite inteira acordada. Você ficou de costas pra mim, com o cabelo no meu travesseiro. Eu não encostei em você. Nunca encostei. Mas eu fiquei acordada até o sol nascer."

André ficou quieto. Eu olhei para ele. Ele fez um gesto pequeno com a mão, vai, continua.

"Eu não sabia, Bia."

"Eu sei que não sabia. Você era hétero, eu achava. E depois veio o André, e vocês eram tão bonitos, e eu fiquei feliz por você. De verdade." Ela riu. "Aí eu te vejo num cubo de vidro gozando olhando pra mim. Me dá um desconto."

Eu ri. André riu. A tensão quebrou e se reorganizou em outra coisa, mais densa.

"Eu também pensava em você", eu disse. "Não do mesmo jeito, acho. Ou talvez sim. Eu nunca deixei o pensamento terminar."

⁂

Foi o André que puxou a regra.

"Antes de qualquer coisa", ele disse, apoiando os cotovelos na mesa, "eu quero dizer as minhas em voz alta. E quero ouvir as de vocês."

"Professor", Bia disse, sorrindo.

"Sempre." Ele contou nos dedos. "Um: camisinha sempre, pra todo mundo. Dois: Biscoito é a palavra de segurança, e quem disser, para tudo. Três: hoje a Paula decide o ritmo. É ela que tá descobrindo uma coisa. Eu já sei o que eu quero."

"E o que você quer?", Bia perguntou.

André olhou para mim.

"Eu quero ver ela feliz. E se for com você, eu quero estar junto."

Bia ficou séria. "As minhas são simples. Eu não quero ser a pessoa que estragou o casamento de vocês. Se em algum momento eu sentir que tô atrapalhando, eu vou embora. E amanhã, se vocês quiserem fingir que nada aconteceu, eu finjo. Juro."

Eu olhei para os dois. Meu marido e a minha amiga, sentados à mesa da minha cozinha, me esperando.

"A minha é uma só", eu disse. "Ninguém aqui finge nada amanhã."

⁂

Ela me beijou primeiro. Ou eu beijei ela. Até hoje a gente discute isso.

Foi na sala, no sofá, com a luz do abajur e a janela com a cortina fechada pela primeira vez em meses. Isso era só para nós.

A boca dela era macia de um jeito que eu não esperava. Diferente da do André. Mais lenta, mais curiosa. Ela segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou como quem lê um livro que esperou muito tempo para ler.

André estava sentado na poltrona, de frente. Não se mexia. Quando eu abri os olhos e olhei para ele, ele estava sorrindo.

"Você tá bem?", eu perguntei, sem fôlego.

"Eu nunca estive tão bem."

Bia abriu o zíper do meu vestido. Eu tirei a camisa dela, botão por botão, com as mãos tremendo. Ela não usava sutiã. Os seios dela eram pequenos, com uma lua minguante tatuada embaixo do esquerdo. Eu toquei, primeiro com os dedos, depois com a boca. Ela gemeu e enfiou as mãos no meu cabelo.

Eu nunca tinha tocado o corpo de uma mulher assim. Achei que ia me sentir desajeitada. Não me senti. Senti que conhecia o caminho, porque era parecido com o meu.

⁂

André veio quando eu chamei.

Eu estendi a mão para ele, sem palavra, e ele levantou da poltrona e ajoelhou no tapete na frente do sofá. Beijou meu joelho. Depois beijou o joelho da Bia.

"Posso?", ele perguntou a ela.

"Pode", ela disse.

Ele subiu as mãos pelas coxas das duas ao mesmo tempo. Foi aí que eu entendi o que era um ménage. Não era a soma de três pessoas. Era uma coisa nova, com um ritmo que nenhum de nós conhecia, que a gente tinha que inventar ali, junto.

Fomos para o quarto. Tiramos o resto da roupa. A Bia deitou de costas na nossa cama, no meio do lençol, e eu e o André ficamos um de cada lado dela, como se ela fosse uma coisa preciosa que a gente tivesse encontrado.

Eu desci pelo corpo dela. Beijei a barriga, o umbigo, a curva do quadril. Ela abriu as pernas devagar e eu olhei para cima, para o rosto dela.

"Eu nunca fiz isso", eu disse.

"Eu sei", ela disse, com a voz trêmula. "Faz do jeito que você gostaria que fizessem em você."

Eu fiz. Com a língua devagar, depois mais firme, sentindo ela tremer, ouvindo ela gemer meu nome. André beijava a boca dela, os seios dela, segurava a mão dela. E em algum momento ela segurou a minha cabeça com força e gozou, alto, arqueando as costas, e eu senti na boca e senti no peito uma coisa que parecia orgulho.

⁂

Depois, foi a vez dela comigo.

Ela me deitou e me chupou com a experiência que eu não tinha, e o André ficou atrás de mim, me segurando contra o peito, as mãos nos meus seios, a boca no meu pescoço, dizendo no meu ouvido coisas que eu nunca vou repetir em voz alta. Eu gozei duas vezes, uma em seguida da outra, com as unhas cravadas na coxa do meu marido.

"Agora você", eu disse para ele, sem ar. "Eu quero ver você com ela."

André me olhou. Uma pergunta muda.

"Eu quero", eu disse. "Eu tô pedindo."

Ele olhou para a Bia. Ela fez que sim.

Ele pôs a camisinha. A Bia ficou de quatro na cama e eu deitei embaixo dela, de frente, com o rosto dela em cima do meu. André entrou nela por trás, devagar, e eu vi o rosto da minha amiga mudar a dez centímetros do meu. Vi os olhos dela fecharem. Vi a boca abrir.

Beijei ela enquanto o meu marido a comia. E senti, pela boca dela, cada estocada dele.

Depois ele saiu dela, trocou a camisinha e entrou em mim, e a Bia ficou ao meu lado, me beijando, a mão entre as minhas pernas, e André gozou dentro de mim olhando para as duas, gemendo nossos nomes misturados.

⁂

Dormimos os três na nossa cama de casal. Apertados. O Biscoito tentou subir e foi expulso.

Acordei às quatro da manhã com a cabeça da Bia no meu ombro e o braço do André na minha cintura. Fiquei acordada até o sol nascer. Com o cabelo dela no meu travesseiro.

Pensei na festa junina. Pensei em como a vida dá voltas.

⁂

No café da manhã, ninguém fingiu nada.

Bia comeu pão com manteiga de camiseta do André. André fez ovos mexidos. Eu passei café. Era estranhamente normal.

"E agora?", Bia perguntou, com a xícara na mão.

"Agora a gente conversa", André disse. "Regra três."

"Eu tenho uma coisa pra contar", Bia disse. Ela pôs a xícara na mesa. "Tem um casal. Amigos meus, do clube. A Carol e o Rafael. Eles viram vocês no cubo de vidro aquele dia. Me perguntaram de vocês a semana inteira."

Eu olhei para o André.

"Perguntaram o quê?", ele disse.

Bia sorriu, meio sem graça.

"Se vocês fariam troca de casais."

O silêncio na cozinha durou o tempo do café terminar de passar.

"Troca", eu disse. "Eu com o Rafael. O André com a Carol."

"E eu?", Bia perguntou, rindo.

"Você", eu disse, pegando a mão dela por cima da mesa, "você vem junto. Pra segurar minha mão."

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