Meu sonho em São Paulo
Peguei o voo das dez no Santos Dumont e pousei em Congonhas antes das onze e meia, com a mochila nas costas e uma mensagem da Ingrid no celular: “Pede um Uber. Eu cozinho. Traz vinho que presta.”
A gente se conhece desde a faculdade, no Rio. Ela se mudou pra São Paulo faz quatro anos, por causa do trabalho. Nesse tempo inteiro foram áudios longos, umas mensagens de madrugada que a gente fingia que não tinha mandado e uma noite de Carnaval em que quase aconteceu. Quase.
O apartamento dela fica em Pinheiros, num prédio novo. Sala integrada, cozinha americana com bancada de pedra escura, janela grande, plantas, uma caixinha de som tocando qualquer coisa baixa. Ela abriu a porta descalça, de short e camiseta larga, o cabelo preso no alto.
“Carioca atrasado”, disse, e me abraçou um segundo mais do que precisava.
Ela fez massa com camarão, mexendo a panela com uma mão e o celular na outra, rindo de um meme que eu tinha mandado do avião. Abrimos o vinho. Falamos do Rio, do trabalho dela, do ex que ela finalmente bloqueou. Na segunda taça ela encostou o quadril na bancada, me olhando.
“Lembra do Carnaval?”
“Todo dia.”
“Eu também.” Ela pousou a taça. “Por que a gente parou aquela vez?”
“Você disse que a gente ia estragar a amizade.”
“Pois é.” Ela chegou perto. “Mudei de ideia.”
O beijo veio com gosto de vinho. Quatro anos de atraso numa boca só. Ela segurou minha nuca com as duas mãos, mordeu meu lábio, colou o corpo no meu. Eu segurei a cintura dela e senti que ela não estava de sutiã.
“Tem certeza?”, perguntei.
“Tenho. E se eu mudar de ideia, eu falo. Agora tira minha camiseta.”
Tirei. Os seios dela ficaram livres na luz da cozinha, os mamilos já duros.
“Fecha a boca, carioca”, ela disse, rindo. “Você já viu peito.”
“Não esses.”
Levantei ela pela cintura e sentei ela na bancada, ao lado da panela ainda quente. Beijei a boca, o pescoço, desci pros seios. Chupei um mamilo, depois o outro, a barba raspando, e ela agarrou meu cabelo.
“Morde.”
Mordi de leve. Ela gemeu e arqueou as costas.
“Mais.”
Mordi mais, chupei forte, e a mão dela foi descendo pela minha barriga até o cinto.
“Ainda não”, eu disse. “Primeiro eu.”
Desci beijando. Barriga, umbigo, a borda do short. Puxei o short e a calcinha juntos, devagar, e ela levantou o quadril pra ajudar. Beijei o quadril, a coxa, o joelho, o tornozelo. Voltei subindo pela parte de dentro da coxa, a barba arranhando.
“Para de me provocar”, ela disse. “Chupa logo.”
Abri as pernas dela na bancada e passei a língua inteira, de baixo até em cima, bem devagar. Ela xingou alto e apoiou as mãos atrás do corpo. Estava molhada, quente, com um gosto que eu ia lembrar no voo de volta.
“Isso. Assim. Não para.”
Chupei o clitóris com os lábios, lambi largo, depois firme em círculo. Enfiei dois dedos, curvados pra cima.
“Porra, Rio de Janeiro”, ela gemeu, rindo e tremendo. “Onde você aprendeu isso?”
“Fica quieta.”
“Não vou ficar quieta nada. Mais rápido.”
Fui mais rápido. As coxas dela apertaram minha cabeça. Ela agarrou meu cabelo e me segurou ali, rebolando na minha boca, e gozou gritando, o corpo inteiro se dobrando em cima de mim. Continuei leve até ela empurrar minha testa.
“Calma. Calma. Deixa eu respirar.”
Subi e beijei ela. Ela lambeu meu lábio.
“Isso foi o Carnaval que eu fiquei te devendo”, ela disse, ainda ofegante.
“Então os juros ainda vão ser altos.”
Ela riu e puxou minha camiseta.
“Agora tira a sua roupa”, disse. “Toda.”
Tirei. Ela desceu da bancada e me olhou de cima a baixo, sem vergonha nenhuma.
“Quatro anos imaginando isso”, disse. “Vem pra sala.”
No sofá ela ficou de quatro, os joelhos afundando nas almofadas, os braços no encosto, e me olhou por cima do ombro.
“Chupa por trás.”
Ajoelhei no tapete atrás dela, segurei a bunda dela aberta com as duas mãos e enfiei a língua, fundo. Ela gemeu contra o encosto e empurrou o quadril na minha cara.
“Mais fundo. Isso, seu safado.”
Fiquei ali até ela estar tremendo de novo. Ela esticou o braço até a bolsa na mesinha e me jogou uma camisinha.
“Agora me come.”
Coloquei e entrei nela devagar, até o fundo. Ela soltou um gemido longo.
“Puxa meu cabelo”, pediu. “Devagar.”
Soltei o prendedor, juntei o cabelo dela no punho e puxei devagar. A cabeça dela foi pra trás, as costas arquearam.
“Assim. Agora mais forte. Me come mais forte.”
Fui mais forte, segurando o quadril dela, puxando contra mim, o barulho da minha pele batendo na dela misturado com a música baixa da caixinha. O sofá arrastava no piso.
“O vizinho vai reclamar”, eu disse.
“O vizinho que se foda. Não para.”
Não parei. Depois de um tempo ela me olhou por cima do ombro, ofegando.
“Me leva pro corredor. Quero na parede.”
Ela saiu do sofá e foi andando na minha frente, nua, olhando pra trás pra ver se eu vinha. Eu vinha.
No corredor ela espalmou as mãos na parede branca, de costas pra mim, e empinou. Entrei por trás de novo, de pé, de uma vez. Beijei a nuca, mordi o ombro, subi com a boca pelo pescoço até a orelha, metendo fundo.
“Fala no meu ouvido”, ela pediu.
“Quatro anos querendo te comer assim.”
“E agora?”
“Agora não vou parar.”
Ela gemeu e empurrou a bunda contra mim.
“Bate”, disse. “Bate na minha bunda.”
“Assim?” Bati, mão aberta.
“Mais forte.”
Bati mais forte. O estalo ecoou no corredor. Ela riu e gemeu ao mesmo tempo.
“De novo. Isso. Não para de me comer.”
Bati de novo e segurei a cintura dela, metendo mais rápido, a boca no pescoço dela. A marca da minha mão ficou vermelha.
“Vira”, eu disse.
Ela virou, encostou as costas na parede e levantou uma perna no meu quadril. Entrei olhando nos olhos dela. Ela cravou as unhas nas minhas costas e arrastou de cima até embaixo.
“Ai, caralho.”
“Gostou?”
“Gostei. Arranha mais.”
Ela arranhou mais fundo, me olhando. Peguei a bunda dela com as duas mãos e levantei ela do chão. Ela cruzou as pernas na minha cintura.
“Assim. Me fode assim. Não para, não para.”
Meti forte, a testa colada na dela, a respiração dela na minha boca.
“Você é muito gostosa”, eu disse.
“Fala de novo.”
“Muito gostosa.”
Ela apertou em volta de mim e gozou me encarando, tremendo inteira contra a parede, as unhas paradas na minha pele.
“Safado gostoso”, ela disse, sem fôlego. “Safado gostoso do caralho.”
Me beijou com força.
“Mais. Eu quero mais.”
“Mais quanto?”, perguntei, rindo contra a boca dela.
“Tudo que você tiver.”
Levei ela no colo até o quarto e deitei ela na cama. Ela ficou um tempo me olhando, respirando, e depois esticou o braço até a gaveta da mesa de cabeceira. Tirou um vibrador e um frasco de lubrificante.
“Posso te pedir uma coisa?”
“Pode.”
“Eu sempre quis os dois juntos. Ele na frente e você atrás. Nunca pedi pra ninguém.” Ela mordeu o lábio. “Você quer?”
“Quero. Você manda no ritmo.”
“Bem devagar. Muito lubrificante. Se eu falar pera, você para.”
“Na hora.”
Ela deitou de lado, de costas pra mim, colocou o vibrador e ligou fraquinho, soltando o ar devagar. Beijei a nuca dela, as costas, a coluna inteira, enquanto ela se acostumava. Passei lubrificante nos dedos, nela, muito. Comecei com um dedo, só a ponta, parado.
“Tudo bem?”
“Tudo. Continua.”
Fui um pouco mais. Ela respirou fundo e empurrou o quadril pra trás.
“Mais um.”
Dois dedos, devagar, esperando ela relaxar. O vibrador zumbindo, ela gemendo baixo. Troquei a camisinha, passei mais lubrificante e encostei, sem empurrar.
“Vem”, ela disse.
Fui centímetro por centímetro, ela guiando com o quadril, prendendo o ar e soltando, a mão dela apertando a minha coxa quando queria que eu esperasse. Parei dentro dela, a mão na barriga, a boca no ombro.
“Tá bom?”
“Tá estranho. Tá muito bom.” Ela pegou minha mão e levou até o vibrador. “Aumenta. E mexe devagar.”
Aumentei. Comecei a me mexer devagar. Ela gemeu fundo, um gemido novo, quase surpreso.
“Tá sentindo ele?”, perguntou, a voz trêmula.
“Tô. Vibra em mim também.”
“Que delícia. Mais. Um pouco mais. Isso, assim.”
Dei exatamente o que ela pedia, nem mais, nem menos. Ela virou o rosto e me beijou de lado, gemendo na minha boca, e agarrou o lençol. Gozou tremendo tanto que eu segurei ela pela cintura.
Saí com cuidado e desliguei o vibrador. Ela ficou deitada de olhos fechados, rindo sozinha.
“Tudo certo?”
“Tudo perfeito.” Ela abriu os olhos. “Vai tomar um banho rápido e volta. Agora é minha vez.”
Eu estava debaixo da água quando a porta do box abriu. Ela entrou, me empurrou pro lado e enfiou a cabeça no jato quente.
“Mudei de ideia”, disse. “Não aguento esperar.”
Beijei ela debaixo da água. O cabelo escuro grudou no rosto dela, nos ombros. Ensaboei as costas dela devagar, os seios, a barriga, e ela encostou a bunda em mim, rebolando.
“Você não cansa?”, ela perguntou, rindo, sentindo que eu estava duro de novo.
“Com você? Quatro anos de estoque.”
Ela desligou o chuveiro, pegou uma toalha, me secou de qualquer jeito e me puxou pela mão até a cama. Sentou na beira, nua, molhada ainda, e me olhou de baixo.
“Fica em pé aqui na minha frente.”
Fiquei. Ela passou a língua devagar, da base até a ponta, uma vez só, me olhando.
“Você tá tremendo”, disse, satisfeita.
“Culpa sua.”
“Ótimo.” E me engoliu inteiro. Boca quente, língua firme, a mão acompanhando. Fundo, devagar, depois rápido. Me olhava de baixo o tempo todo.
“Fala o que você quer.”
“Fundo. Me chupa fundo.”
Ela obedeceu, fundo, os olhos lacrimejando, a mão me puxando pela bunda. Tirou, respirou, cuspiu e voltou mais rápido, gemendo junto. Segurei o cabelo dela leve e ela gemeu com a boca cheia.
“Quatro anos”, ela disse, me lambendo da base até a ponta. “Valeu a espera?”
“Cada dia.”
Ela voltou com mais vontade. Minhas pernas começaram a falhar.
“Vou gozar.”
Ela tirou da boca e continuou com a mão, rápida, firme.
“No meu peito. Quero ver.”
Gozei forte nos seios dela, escorrendo pela barriga. Ela olhou pra baixo e passou os dedos devagar, espalhando, desenhando círculos, me olhando com um sorriso safado. Levou um dedo à boca e lambeu.
Depois levantou, me abraçou toda melada e me beijou devagar, fundo, demorado.
Ficamos um tempo deitados, suados, as pernas enroladas, ela passando a unha devagar nos arranhões que tinha deixado nas minhas costas.
“Vai ficar marca”, ela disse.
“Vou levar pro Rio de lembrança.”
O celular dela vibrou em algum lugar da sala.
“Que horas é seu voo de volta?”, ela perguntou.
“Domingo à noite.”
Ela pegou meu celular na mesinha e me entregou.
“Remarca pra segunda.”
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