✒ Escrito por humanoContemporâneo · 11 minConto #85

Quinta-feira, cinco da tarde

por Noa Bruma

O prédio ficava na Rua Barata Ribeiro, a duas quadras da praia, e tinha aquele elevador antigo de porta pantográfica que range como se reclamasse de cada andar. Eu conhecia cada rangido. Subi até o décimo segundo com o coração batendo mais alto que o motor. Lá fora, a chuva de fim de tarde tinha esvaziado Copacabana, e o cheiro de asfalto molhado entrava pelas frestas.

Meu nome é Luiz. Tenho quarenta e um anos, sou engenheiro, divorciado há dois. E há oito meses sou cliente da Natasha.

Encontrei o anúncio dela numa noite ruim, num site de acompanhantes do Rio. Fotos sem rosto, um texto curto e educado, "atendo em local próprio em Copacabana, com hora marcada", e um número de WhatsApp. Naquela primeira vez ela me respondeu objetiva: o valor da hora, o valor das duas horas, o que fazia e o que não fazia, pagamento na chegada, em Pix. Depois vieram a segunda vez, a terceira, a décima. Toda quinta, cinco da tarde, duas horas. Eu mandava a mesma mensagem, "oi, Natasha, quinta no horário de sempre?", e ela respondia com o mesmo emoji de sol.

Ela era garota de programa e nunca fingiu ser outra coisa. Eu era cliente e fingia, para mim mesmo, que era só isso. Não era. Eu estava apaixonado por ela, daquele jeito idiota e inteiro que a gente acha que já passou da idade de sentir.

Eu sabia o preço de cada minuto com ela e mesmo assim, de segunda a quarta, me pegava fazendo contas que não eram de dinheiro. Quantas quintas cabem num ano. Quantas horas, somando tudo, eu já tinha passado com ela. Se aquilo, somado, já dava uma vida pequena. Na obra, os peões me achavam distraído. Minha irmã dizia que eu estava diferente, mais leve, e perguntava se eu estava namorando. Eu ria e mudava de assunto. Como explicar que a mulher que me fazia feliz era a mesma que me mandava o QR Code do Pix antes de tirar a roupa?

Eu nunca contei para ninguém. Nem para ela.

Natasha abriu antes que eu tocasse a campainha. Tinha visto pelo olho mágico, como sempre. Vestia uma camiseta branca larga, dessas de homem, e mais nada que eu conseguisse ver. Cabelo castanho escuro preso de qualquer jeito, pele morena de sol, uma pinta pequena acima do lábio. Vinte e nove anos e a voz mais grave que eu já tinha ouvido dizer meu nome.

"Você está encharcado, meu cliente preferido", ela disse, e me puxou pela gola da camisa.

O apartamento era pequeno e claro, com uma janela enorme que dava para um pedaço de mar cinzento entre dois prédios. O sofá de veludo verde, a estante cheia de livros, a planta que parecia ter vontade própria. Eu sabia onde ficava cada coisa ali. Isso era parte do problema.

Antes de qualquer outra coisa, ela estendeu o celular com o QR Code do Pix na tela, sorrindo sem nenhum constrangimento.

"Primeiro o chato", disse. "Aí a gente esquece o relógio."

Paguei ali mesmo, em pé na sala, o valor das duas horas. Ela conferiu, agradeceu, deixou o celular virado para baixo na estante e programou o timer discreto no relógio de pulso. Eu odiava aquele timer. Odiava e entendia. Só depois ela me serviu água, sentou no braço do sofá e cruzou as pernas.

"Você sabe minhas regras", disse, como dizia toda vez, meio de brincadeira, meio a sério. "Camisinha em tudo, sempre. Nada de foto, nada de vídeo. Passou do tempo, eu aviso. E se eu disser 'amarelo', você diminui. 'Vermelho', a gente para e conversa."

"Eu sei."

"Então me diz o que você quer hoje."

Eu quis dizer "você, pra sempre". Disse outra coisa. Falei que queria a boca nos peitos dela, que queria chupar a buceta dela até ela perder a voz. Falei que queria ela no sofá, e depois em pé, do jeito que desse. E no fim, com a cara pegando fogo como na primeira vez, falei que queria gozar na cara dela.

Ela desceu do braço do sofá, sentou do meu lado e segurou meu queixo.

"Pede pra mim na hora, olhando nos meus olhos", disse. "Eu gosto de dizer sim pra você."

Ela tirou a camiseta sozinha, devagar, olhando para mim. Os peitos eram médios, firmes, com os bicos escuros já duros do ar frio da chuva. Oito meses e eu ainda ficava parado como um adolescente.

"Vem", ela disse, e deitou no sofá verde, puxando minha cabeça.

Chupei os peitos dela como quem bebe depois de um dia inteiro no sol. Primeiro um, passando a língua em volta do bico, depois sugando com força até ela arquear as costas e soltar um gemido rouco. Depois o outro. Ela segurava meu cabelo e me guiava, mais forte, mais devagar, ali, isso. Eu mordi de leve e ela riu entre os dentes.

"Pode morder mais", sussurrou.

Mordi. Ela gemeu alto e abriu as pernas por baixo de mim, e eu senti o calor dela através do meu jeans molhado. Fiquei muito tempo ali, alternando, beijando o vão entre os dois, mordendo de novo, até ela começar a empurrar minha cabeça para baixo com as duas mãos, impaciente.

"Desce, Luiz. Por favor."

Desci beijando a barriga, o umbigo, o osso do quadril. Ela não tinha calcinha. A buceta dela era depilada, com os lábios inchados e já brilhando. Eu me ajoelhei no tapete, puxei ela pela bunda até a beirada do sofá e enfiei o rosto ali.

O gosto dela era salgado e doce ao mesmo tempo, e eu conhecia esse gosto melhor do que o de qualquer comida. Chupei a buceta dela com a boca inteira, a língua subindo de baixo para cima, parando no clitóris e girando. Ela pôs uma perna no meu ombro e a outra no encosto do sofá, toda aberta, e começou a mexer o quadril contra minha boca.

"Assim, Luiz. Não para. Chupa minha buceta assim."

Enfiei dois dedos dentro dela, curvados para cima, e continuei chupando o clitóris. Ela ficou molhada a ponto de escorrer pelo meu queixo. Os gemidos viraram uma frase só, repetida, até que ela travou as coxas na minha cabeça e gozou tremendo, a barriga pulando, a mão espalmada na minha nuca me segurando lá dentro.

Quando ela me soltou, eu estava sem ar, com o rosto molhado dela, e disse baixinho na barriga dela, sem que ela ouvisse direito: "te amo".

"Que foi?", ela perguntou, ofegante.

"Nada. Que você é linda."

Ela me olhou um segundo a mais do que devia. "Tira essa roupa", disse. "Agora."

Ela mesma abriu meu cinto. Meu pau saltou duro na cara dela e ela olhou para ele com uma espécie de aprovação divertida. Pegou uma camisinha na mesinha, rasgou com os dentes e desenrolou em mim com uma habilidade que ainda me fazia rir de nervoso.

Então me empurrou sentado no sofá e subiu em cima.

Desceu devagar, encaixando, os olhos fixos nos meus. Senti a buceta quente me engolindo centímetro por centímetro até ela sentar inteira e soltar o ar de uma vez. Ficou parada um segundo, só respirando.

"Tava com saudade, né?", ela disse. Não era pergunta.

"A semana inteira", falei. "Eu sinto sua falta a semana inteira."

Ela começou a cavalgar. Primeiro rebolando, depois subindo e descendo com força, as mãos no meu peito, os peitos balançando na minha frente. Eu agarrei a bunda dela e meti de baixo para cima, acompanhando. O sofá rangia, a chuva batia na janela, e ela gemia meu nome enquanto eu beijava o pescoço dela dizendo coisas que um cliente não diz.

Em algum momento eu não aguentei ficar parado. Levantei com ela no colo. Ela riu, cruzou as pernas na minha cintura e os braços no meu pescoço, e eu meti nela em pé, no meio da sala, segurando todo o peso dela pelas coxas. Era desajeitado e perfeito. Ela pulava no meu pau e eu dava passos sem saber para onde, até as costas dela encontrarem a estante e uns três livros caírem no chão.

"Desculpa", eu disse, metendo.

"Não para pra pedir desculpa", ela respondeu, mordendo minha orelha.

Coloquei ela no chão, virei de frente para a estante e meti em pé por trás, ela na ponta dos pés, as mãos agarradas na prateleira. Eu segurava o quadril dela e enfiava fundo, devagar, depois rápido. Ela empinava a bunda pedindo mais, olhava para trás por cima do ombro, e num desses olhares eu vi uma coisa que não era técnica. Era vontade.

"Eu vou gozar de novo", ela avisou, surpresa, como se não estivesse no roteiro. E gozou, a testa encostada nos livros, a buceta me apertando em ondas.

Eu segurei. Ainda não.

Ela se virou, tirou a camisinha de mim com cuidado e jogou num cesto ao lado da estante. Depois se ajoelhou no tapete, o cabelo solto agora, e olhou para cima.

"Agora é a sua vez de pedir", disse. "Pede."

Meu pau estava duro, latejando, na frente do rosto dela. Eu engoli seco.

"Posso gozar na sua cara?"

"Pode", ela disse, sem desviar os olhos. "Eu quero."

Ela me chupou primeiro, devagar, fundo, segurando minhas coxas. Depois soltou e começou a me bater uma punheta, olhando nos meus olhos, a língua para fora, esperando.

"Tem certeza?", perguntei, já no limite.

"Goza na minha cara, Luiz", ela disse, a voz rouca. "Goza."

Eu não aguentei mais. Gozei em jatos fortes no rosto dela, na bochecha, no queixo, nos lábios, um fio cruzando o nariz. Ela não fechou os olhos. Ficou me olhando enquanto eu gozava, com um sorriso cheio de carinho, e eu gemi alto, as pernas bambas, segurando na estante para não cair.

Ela passou a língua nos lábios e riu.

"Pronto. Agora você pediu."

Peguei a camiseta dela no chão e limpei o rosto dela, devagar, como se fosse uma coisa preciosa. Ela deixou. Ficou quieta, os olhos meio fechados, deixando eu cuidar.

"Por que você me olha assim?", ela perguntou.

"Assim como?"

"Como se eu não estivesse cobrando."

Eu não respondi. Ela também não insistiu. Mas pegou minha mão e ficou brincando com meus dedos, um por um, como quem conta alguma coisa que não quer dizer em voz alta.

Ficamos deitados no sofá verde, ela de costas no meu peito, até o relógio vibrar no pulso dela. As duas horas tinham acabado. Ela desligou o alarme sem olhar, e eu senti o corpo dela demorar um pouco a se levantar, um pouco mais do que de costume.

Me vesti enquanto ela prendia o cabelo, de novo profissional, de novo dona da casa. Na porta, ela me deu um beijo rápido na boca.

"Quinta que vem?", perguntou.

"Quinta que vem."

O elevador rangeu os doze andares de volta. Na calçada da Barata Ribeiro, o chão molhado refletia as luzes acesas. Andei até a praia sentindo o gosto dela ainda na boca e contando, já, os dias até quinta.

Gostou? Apoie quem escreveu.

70% da gorjeta vai direto para quem escreveu.

Avalie:
Denunciar

0 comentários