✒ Escrito por humanoContemporâneo · 11 minConto #86

Noite na Atlântica

por Noa Bruma

A mensagem chegou numa terça, às onze da manhã, e eu li três vezes antes de acreditar.

"Oi, Luiz. Essa semana não consigo receber em casa, tô com obra no prédio. Topa um flat? Tem um na Atlântica, perto do Posto 5, que eu uso às vezes. Sábado, dez da noite, três horas. O valor fica o de sempre mais o flat, que eu reservo e você me paga junto. Pix na chegada, tá?"

Respondi "topo" em quatro segundos e passei o resto do dia me odiando por isso. Quarenta e um anos, engenheiro, divorciado, cliente fiel de uma garota de programa havia oito meses, e meu coração disparava por causa de um sábado.

Porque era isso. Natasha sempre foi quinta-feira, cinco da tarde, duas horas, no apartamento dela. Sábado à noite era outra coisa. Sábado à noite era o horário das pessoas que têm alguém.

Cheguei dez minutos antes e fiquei andando no calçadão, olhando o mar preto e as luzes dos quiosques, com um buquê pequeno de rosas que comprei num impulso e que agora parecia ridículo. Quase joguei fora. Não joguei.

Fiquei pensando em como seria se fosse outro tipo de sábado. Se eu fosse só um homem esperando a namorada para jantar no Copacabana Palace, se ela descesse do táxi e me beijasse sem conferir Pix nenhum. Pensei nisso com uma vergonha que não era de moral, era de criança que deseja demais. Eu sabia muito bem o que era aquilo. Sabia que ela tinha outros clientes, outros horários, outros homens que talvez também levassem flor. E mesmo assim, ali no calçadão, com o vento salgado batendo na cara, eu não conseguia sentir aquilo como transação. Eu sentia como encontro.

Às dez em ponto, o celular vibrou. "Pode subir. 904."

O flat ficava no nono andar. Ela abriu a porta de vestido preto curto, salto, o cabelo castanho solto pela primeira vez desde que eu a conhecia, e um batom escuro que deixava a pinta acima do lábio ainda mais bonita. Eu fiquei parado no corredor.

"Que foi?", ela riu. "Nunca me viu arrumada?"

"Nunca", falei. E estendi as rosas.

Ela olhou para as flores um tempo. O sorriso mudou um pouco, ficou menos de trabalho.

"Ninguém me dá flor", disse. "Cliente dá presente, perfume, essas coisas. Flor não."

Pôs as rosas num copo d'água na pia da cozinha americana antes de qualquer outra coisa. Depois, como sempre, veio o celular com o QR Code.

"Primeiro o chato", disse. "Três horas mais o flat."

Paguei. Ela conferiu, agradeceu, programou o timer no relógio de pulso e deixou o celular virado para baixo. A janela do flat dava direto para a Atlântica, e a luz amarela dos postes entrava enviesada pela cortina.

Ela sentou na beirada da cama, cruzou as pernas e me olhou.

"Você sabe minhas regras. Camisinha em tudo, sempre. Nada de foto. 'Amarelo', você diminui. 'Vermelho', a gente para." Fez uma pausa. "Hoje eu quero saber o que você quer. Mas eu também tenho um pedido."

"Qual?"

"Faz tempo que você me pede de quatro e com tapa. Hoje eu quero isso. Forte. E quero que você me faça gozar até eu não aguentar mais." Ela mordeu o lábio. "E quero anal. Com você."

Eu engoli seco. "Tem certeza?"

"Tenho. Com camisinha nova e muito lubrificante. Eu trouxe." Apontou a bolsa. "E no meu tempo."

"No seu tempo", repeti.

Ela se levantou, virou de costas e pediu que eu abrisse o zíper do vestido. Abri devagar, beijando cada pedaço de costas que aparecia. O vestido caiu no chão. Ela estava de calcinha preta e mais nada. Virou de frente, me beijou demorado, me despiu sem pressa, e quando me pôs a camisinha, os dedos dela tremeram um pouco. Natasha nunca tremia.

Ela subiu na cama de quatro, os joelhos afundados no lençol branco, os braços apoiados na cabeceira, a bunda empinada para mim. Puxou a calcinha de lado ela mesma. Olhou para trás por cima do ombro.

"Lembra da palavra?"

"Amarelo e vermelho."

"Então pode bater."

Meti nela de quatro, de uma vez, a buceta encharcada me engolindo inteiro. Ela gritou de prazer. Segurei a cintura e comecei a socar, fundo, e na terceira estocada desci a mão aberta na bunda dela. O estalo ecoou no quarto. Ela gemeu e empinou mais.

"De novo."

Bati de novo, do outro lado. A pele dela ficou vermelha com o desenho da minha mão. Eu parei por um segundo, a mão espalmada onde tinha batido, sentindo o calor.

"Tá bom assim? Quer mais forte?"

"Mais forte", ela disse, a voz tremendo de vontade. "E não para de meter."

Eu meti e bati, meti e bati, num ritmo que foi virando música. A cada tapa ela apertava meu pau por dentro. Ela enfiou uma mão entre as pernas e começou a esfregar o clitóris enquanto eu socava.

Gozou a primeira vez com um grito abafado no travesseiro. Eu não parei. Ela pediu que eu não parasse. Gozou a segunda vez uns dois minutos depois, as pernas tremendo tanto que eu tive que segurar o quadril dela para ela não desabar. Bati de novo, e ela gritou "isso, isso, mais", e gozou a terceira vez, o corpo inteiro convulsionando, a bunda vermelha batendo em mim, molhada a ponto de escorrer pelas coxas.

Desacelerei. Me inclinei sobre as costas dela, beijei a nuca suada.

"Ainda tá bom?"

"Não para", ela sussurrou. "Só mais uma. Me faz gozar mais uma."

Fiz. Devagar dessa vez, fundo, a mão dela e a minha juntas no clitóris dela, até ela gozar a quarta vez chorando de rir, desabando de bruços no colchão.

Eu saí de dentro dela e deitei do lado. Ela ficou um tempo enorme com o rosto no travesseiro, respirando.

"Tudo bem?", perguntei, afastando o cabelo dela do rosto.

Ela virou a cabeça para mim. Os olhos estavam molhados.

"Eu finjo, sabia?", disse, baixinho. "Com cliente, quase sempre. Eu finjo muito bem. Até com você, no começo."

"E agora?"

"Agora não. Faz tempo que com você eu não finjo nada." Ela riu sem graça. "E isso me assusta."

Eu beijei a testa dela. Quis dizer que a amava. Disse só "eu também tenho medo", que era verdade de um jeito diferente.

Ela se levantou, foi até a bolsa e voltou com um frasco de lubrificante e uma camisinha nova. Me entregou os dois.

"Troca", disse. "Pro anal é sempre outra."

Troquei. Ela se ajoelhou na cama, mas dessa vez abaixou o peito até encostar no lençol e abriu a bunda com as próprias mãos. Olhou para trás e disse, sem nenhum pudor, com a voz mais doce do mundo:

"Quero dar meu cu pra você."

Eu tive que respirar fundo. Ela sorriu.

"Você quer comer meu cu, amor?", perguntou, e era a primeira vez que me chamava de amor.

"Quero", falei. "Eu quero tudo seu."

Despejei lubrificante nos dedos e no cuzinho dela, generoso, frio. Ela riu do arrepio. Comecei com um dedo, devagar, massageando em volta, depois entrando. Ela relaxava e apertava, relaxava e apertava. Pus o segundo dedo. Ela gemeu baixo e começou a rebolar.

"Agora", ela disse. "Devagar no começo."

Espalhei mais lubrificante na camisinha e encostei a cabeça do pau no cu dela. Empurrei bem devagar. Senti a resistência, depois o anel cedendo, e a cabeça entrou. Ela soltou um gemido longo e eu parei.

"Tá tudo bem? Quer que eu espere?"

"Amarelo", ela disse, respirando. Eu fiquei imóvel, a mão nas costas dela. Esperei. Senti ela relaxar em volta de mim, aos poucos. "Pronto. Agora vai. Mete no meu cu."

Fui entrando um centímetro de cada vez, ela empurrando para trás quando estava pronta. Até que estava inteiro dentro dela, apertado de um jeito que me fazia ver estrelas. Fiquei parado e ela começou a mexer sozinha, para frente e para trás.

"Pode mexer", disse. "Do jeito que você quer."

Comecei devagar. O anal com ela tinha um ritmo próprio, mais lento, mais intenso. Eu segurava a cintura e enfiava fundo, saindo quase todo e entrando de novo. Ela levou a mão ao clitóris. Os gemidos mudaram de tom, ficaram mais graves, mais animais.

"Mais rápido", pediu. "Mete no meu cu com força agora."

Eu acelerei. A bunda dela, ainda vermelha dos tapas, batia no meu quadril. Ela gritava no travesseiro e gozou de novo assim, com meu pau inteiro no cu dela, um gozo comprido que fez o corpo todo dela travar.

Eu estava no limite. Saí devagar, ela pediu um minuto, e eu tirei a camisinha e joguei no lixo do banheiro. Quando voltei, ela estava ajoelhada no chão, ao pé da cama, me esperando, o cabelo bagunçado e o batom borrado.

"Vem cá", disse. "Você sempre me olha como quem quer pedir alguma coisa. Pede."

Meu pau estava duro, latejando, na frente do rosto dela.

"Posso bater com o pau no seu rosto?"

"Pode", ela disse, e fechou os olhos por um instante, sorrindo. "Mas devagar no começo. Eu te falo se quiser mais."

Segurei meu pau pela base e bati de leve na bochecha dela. Ela abriu os olhos. Bati do outro lado, um pouco mais forte. Ela abriu a boca e pôs a língua para fora. Bati com a cabeça do pau na língua dela, nos lábios, de novo na bochecha. Ela gemia baixinho a cada batida.

"Assim?", perguntei.

"Assim. Mais um pouco."

Bati mais. Ela segurou minhas coxas e riu, uma risada solta, de menina, que eu nunca tinha ouvido. Depois me pegou com a mão, me chupou fundo, e me bateu uma punheta olhando nos meus olhos até eu gozar nos peitos dela, gemendo o nome dela alto, alto demais para um flat na Atlântica às onze da noite.

Ela pegou a toalha, se limpou, e se deitou comigo na cama, a cabeça no meu peito. Pela janela entrava o barulho do mar e de um carro passando.

"Luiz", ela disse.

"Hum."

"Por que você me trouxe flor?"

Eu demorei a responder. "Porque era sábado", falei. "E sábado é dia de levar flor pra quem a gente gosta."

Ela não disse nada por um tempo. Depois falou, sem olhar para mim: "Não faz isso comigo, Luiz." E eu não soube se era pedido ou agradecimento. Ela ficou passando o dedo no meu peito, desenhando alguma coisa que eu não consegui adivinhar.

O relógio dela vibrou meia hora depois. Ela olhou, desligou, e disse "acabou", com uma voz que não parecia de quem estava aliviada.

Me vesti. Ela vestiu o vestido preto de novo e, antes de abrir a porta, pegou uma das rosas do copo e me deu.

"Uma é sua", disse. "As outras ficam comigo."

Desci pelo elevador com a rosa na mão, atravessei a Atlântica e fiquei um tempo sentado num banco do calçadão, olhando a janela do nono andar. A luz continuou acesa muito tempo depois.

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